Aurélio Magalhães – Da China Para Casa by Bike

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Entre mar, montanhas, amigos e festival

Para encontrar Eric, sua na morada Larissa e Oz Gun, deixei minha bike na casa de Nuzhet e fiz uma viagem de 10 horas de ônibus entre Mersin e Antália. Passamos uma semana explorando a região que possui o mesmo nome da cidade, e voltamos todos para Mersin para prestigiar o festival anual dos nômades. Antes de partir para ver meus amigos, tive a honra de participar de um programa de rádio e fiz uma palestra na Mersin University onde contei um pouco sobre mim e a minha viagem.

 

Antália possui aproximadamente 1 milhão de habitantes, situada ás margens do Mediterrâneo no sul da Turquia, fundada em 150 a. C.. O porto e o centro histórico tentam manter o charme de um passado distante, com ruelas estreitas e casarões típicos, e as altas montanhas que a cercam oferecem lindas vistas. No entanto, nas praias mais próximas ao centro, a impressão de artificialidade predomina, com turistas mesocêntricos e grandes hotéis modernos, com fachadas de muito mau gosto, que não combinam em nada com o azul translúcido do Mediterrâneo.

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Porta de Antália, Turquia.

É ao redor da cidade que estão as melhores atrações da região. Cercada pela cordilheira dos Montes Tauro, a região combina montanhas que mergulhão abruptamente nas águas azuis do Mediterrâneo, vales, cânions, cachoeiras, rios subterrâneos, cavernas, e pequenas planícies costeiras formando lindas baías e penínsulas. Um lugar incrível para quem privilegia o contato com a natureza. Em meio a tudo isso, existe um valioso conjunto histórico arquitetônico dos diferentes impérios que dominaram a região ao longo dos anos, como o bizantino, otomano, grego, romano entre vários outros . A cadeia montanhosa possui vários picos com mais de 3000 metros de altitude, e entre elas, serpenteiam as famosas águas dos rios Tigres e Eufrates.

Nas primeiras três noites optamos por acampar nas montanhas na região do Cânion Koprulu e nas outras duas noites, descemos ao nível do mar para armar nossas barracas no Pan Camping em Kemer.

Nas montanhas, nos encantamos com as lindas vistas, fizemos rafting nas corredeiras do Rio Kopru e nadamos nas geladas águas cristalinas de seus afluentes. Também visitamos as ruínas de um antigo teatro romano em Selge.

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Eu, Larissa, Oz Gun e Eric, bonitos na fita, prontos para descer o rio Kopru. Antália, Turquia.
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Gelada!!!!! Afluente do rio Kopru. Antália, Turquia.
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Larissa e Eric. Antália, Turquia.
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Cânion de Koprulu. Antália, Turquia.
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Parque Nacional de Koprulu. Antália, Turquia.
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Minha barraca no Parque Nacional de Koprulu, Antália, Turquia.
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Rios subterrâneos desaguando no rio Kupru. Antália, Turquia.
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Rios subterrâneos que formam o cânion de Kuprulu. Antália, Turquia.
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Vendedora de artesanato. Selge, Antália, Turquia.
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Selge, Antália, Turquia.
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Ruínas de teatro romano em Selge, Antália, Turquia.
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Ruínas de teatro Romano em Sege, Antália, Turquia.

Em Kerme, praticamente morgamos o dia todo entre um mergulho e outro no mar. É claro que rolou uma cervejinha e um churrasquinho de leve. As amoreiras do Pan Camping estavam carregadas e deliciosas.

O Festival Nacional dos Nômades acontece dias antes da migração para as montanhas mais altas. No inverno, o clima mais ameno permite que as ovelhas pastem em regiões mais baixas. Com o forte calor do verão, as pastagens se tornam abundantes em altitudes mais elevadas, onde a temperatura oferece a condição ideal para as ovelhas ganharem peso. O festival é na verdade uma grande festa de despedida, já que cada família segue para um lado e só se reencontram no próximo inverno.

Fomos muito bem recebidos pela comunidade. Todos vinham até nós para tentar um diálogo e oferecer as boas vindas. De alguma forma, parecia que eles se divertiam mais com a nossa presença do que nós com o festival.

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Eric e eu vestidos com a Salvar, as calças típicas usadas pelos nômades. Festival nômades. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

A simplicidade do festival fica evidente nas improvisações. O local da festa fica em um descampado entre as montanhas no meio do nada. A cozinha fica ao ar livre e usa-se lenha. O abastecimento de água é feito por um caminhão pipa. A comida é servida em bandejas de isopor e os talhares são de plástico. Tudo doado! Um gerador barulhento é a única fonte de energia e só abastece o palco. Quase não existe árvores e muita gente trás sua própria barraca para tentar fugir do sol ardente. O banheiro químico só apareceu no meio da tarde de domingo. Antes, as necessidades eram feitas ás margens do vale, aos pés das montanhas, atrás de alguns arbustos.

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Local do festival nômades. GozneYaylasi, Mersin, Turquia.
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Modo tradicional de preparação do ayran, bebida de iogurte. Festival nômades. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

No sábado a noite, uma brincadeira em volta de uma enorme fogueira deu início ao festival. Uma tipo de pega-pega onde o pegador tenta surpreender usando a fogueira como aliada. Um enorme círculo feito pelos participantes delimita a área. Uma corneta e um bumbo ditam o ritmo…

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No domingo pela manhã, enquanto os convidados vão chegando e se reunindo com seus familiares para tomar um chay e colocar o papo em dia, os últimos preparativos vão sendo executados. Mudam o gerador de lugar, montam o palco, trazem as cadeiras de plástico, equacionam o som, dão os últimos retoques nas barracas, trazem os burros e as ovelhas, organizam o estacionamento dos carros, finalizam os preparativos na cozinha e tudo o mais…

Foi legal ver a comunidade se organizando, se divertindo e se confraternizando com trajes tradicionais,  brincando em volta da fogueira, ou simplesmente tomando um chay entre parentes e amigos. Dezenas de quilos de grão-de-bico, feijão branco com pedaços de carne de carneiro e pão, são preparados e oferecidos gratuitamente. Muita gente trás sua própria comida e seu fogão para fazer chá.Álcool não faz parte da festa. Alguns ambulantes formam uma feirinha onde são vendidos desde utensílios de cozinha, roupas, relógios, bijuterias, até brinquedos e algodão-doce para as crianças. Tudo muito simples! Também teve shows musicais e apresentações de danças típicas. Houve o momento da fé e agradecimento na tradicional leitura do alcorão. As crianças tiveram sua vez nas competições de arco e flecha  e luta. Para os nômades, o ponto alto da festa foram as competições de tosa de ovelha, corrida de burros, o mais belo animal e a tenda mais caracterizada. Os primeiros colocados são premiados com dinheiro e pequenas barras de ouro.

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Mulheres nômades na lida em cozinha improvisada. Gozne Yaylisa, Mersin, Turquia.
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Mulher nômade cortando lenha para abastecer a cozinha. Festival Nômade em Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia. 
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Festival Nômade em Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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O show vai começar… Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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É hora de agradecer… Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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Dois anos e meio vivendo como eles! Um nômade brasileiro no meio do festival. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia. 
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Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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Apresentação de dança no Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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Típico acampamento de família Nômades no Festival. Gozne, Mersin, Turquia.
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Campeonato de luta para as crianças no Festival Nômade. Gozne Yatlasi, Mersin, Turquia.
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Competição de toa de ovelhas no Festival Nômade. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.
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Oz Gun, Eric, Larissa e eu no Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

Ao final do festival, Oz Gun retornou a Istambul, e Larissa, Eric e eu voltamos para a casa de Nuzhet (warmshowers) em Mersin. Vamos aproveitar o feriado nacional do dia 19 e passar o final de semana conhecendo melhor a região. Essa é a minha última semana na Turquia. É a última chance de você concorrer a uma viagem de 15 dias comigo em qualquer parte do meu roteiro. É só acertar meu próximo destino. Click aqui e confira o regulamento no post anterior. 

Um abraço e continue na garupa!

 


 

A viagem ao redor do globo continua. Suba na garupa e venha comigo nesta aventura!

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